Reforma Tributária: Status Atual da CBS e IBS e os Impactos para as Empresas em 2026


A implementação da Reforma Tributária brasileira segue avançando em etapas importantes. Com a criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), empresas precisam se preparar para mudanças relevantes nos documentos fiscais, na apuração de tributos e na adequação de sistemas.

A seguir, destacamos o cenário atual, o que já está em vigor e quais são os próximos passos que exigem atenção das organizações.

1. O que já está em vigor: destaque de CBS e IBS nas notas fiscais

Com a publicação do ATO CONJUNTO RFB/CGIBS nº 1, de 22 de dezembro de 2025, foi estabelecido um período de transição para adaptação das empresas ao novo modelo tributário.

Durante esse período:

  • Já é possível emitir documentos fiscais com os campos de CBS e IBS.

  • Não haverá penalidades imediatas pela ausência do preenchimento desses campos.

  • A tolerância permanece até o primeiro dia do quarto mês após a publicação da parte comum dos regulamentos da CBS e do IBS.

Essa fase foi criada para permitir que empresas ajustem seus ERPs, integrações fiscais e processos de faturamento antes da obrigatoriedade plena.

No entanto, é importante destacar que essa tolerância não significa que as empresas possam ignorar a adaptação. O prazo de transição deve ser utilizado para preparar os sistemas e processos internos.

2. O projeto piloto em andamento

Com a formalização do Comitê Gestor do IBS (CGIBS), foi iniciado o Projeto Piloto da Apuração Assistida, que representa um passo importante na implementação prática do novo modelo tributário.

Apuração assistida

O projeto piloto envolve um grupo restrito de empresas selecionadas, que estão participando da validação do modelo de cálculo e consolidação dos dados do IBS.

A proposta da apuração assistida é permitir que o próprio sistema do governo consolide informações fiscais e calcule automaticamente o imposto devido, reduzindo divergências e erros na apuração tributária.

Orientações do Comitê Gestor

Para apoiar as empresas participantes, o CGIBS iniciou uma série de lives e materiais técnicos, explicando:

  • funcionamento da apuração assistida

  • estrutura de dados exigida

  • regras de cálculo do IBS

  • processos de validação fiscal

Além disso, foi publicada a Cartilha Orientativa da Apuração, documento essencial para compreender o funcionamento do Sistema de Apuração Assistida do IBS.

⚠️ Recomendação: Empresas devem buscar fontes oficiais e atualizadas, estudando atentamente a cartilha e os materiais técnicos divulgados pelo CGIBS.

3. O que está por vir: atenção aos riscos e penalidades

Recentemente, novas versões de Notas Técnicas da NF-e e NFC-e trouxeram flexibilizações nas validações previstas para 2026. Isso gerou interpretações equivocadas no mercado, levando algumas empresas a acreditar que a adaptação pode ser adiada.

É fundamental esclarecer alguns pontos críticos.

Flexibilização não significa ausência de obrigação

A flexibilização nas validações técnicas não elimina a obrigatoriedade futura da CBS e do IBS.

Ou seja:

  • Algumas notas fiscais podem não ser rejeitadas neste momento.

  • Porém, isso não significa que a tributação esteja dispensada.

Mudança no tipo de risco

Antes, o principal risco era não conseguir faturar por rejeição da nota fiscal.

Agora, o risco passa a ser outro:

  • emissão de documentos fiscais incorretos

  • inconsistências tributárias registradas na base do governo

  • possibilidade de autuações e multas futuras

⚠️ Em outras palavras, o problema pode não aparecer no momento da emissão da nota, mas poderá gerar penalidades financeiras posteriormente.

Recomendação para as empresas

Diante desse cenário, a recomendação é clara:

  • iniciar o quanto antes os ajustes nos sistemas fiscais

  • revisar regras tributárias e cadastros

  • preparar ERP, faturamento e integrações fiscais

A transição para o novo modelo tributário exige planejamento e adaptação antecipada.

4. Adequação das Notas Fiscais de Serviços (NFS-e) nos municípios

Além das notas fiscais de mercadorias, outro ponto relevante da Reforma Tributária é a adaptação das Notas Fiscais de Serviço (NFS-e) emitidas pelos municípios.

Essa adequação pode ocorrer de duas formas:

1️⃣ Adaptação dos provedores locais
Municípios que possuem sistemas próprios ou provedores terceirizados precisam ajustar seus layouts e integrações para contemplar os novos tributos.

2️⃣ Adoção do padrão nacional da NFS-e
Alguns municípios estão migrando diretamente para o modelo nacional da NFS-e, mantido pela Receita Federal.

Durante janeiro e fevereiro de 2026, diversos municípios começaram esse processo de adaptação. No entanto:

  • alguns ainda utilizam layouts anteriores (2025)

  • certos provedores possuem impedimentos técnicos temporários

Apesar disso, a adequação ao modelo nacional será inevitável.

⚠️ Ação necessária para empresas prestadoras de serviço

Empresas que emitem NFS-e devem verificar se seu município já definiu o layout com CBS e IBS.

Caso ainda não exista definição:

  • o próprio contribuinte deve notificar a prefeitura solicitando posicionamento sobre a implementação.

É importante lembrar que fornecedores de software, como ERPs, não possuem legitimidade para fazer essa solicitação. Apenas o contribuinte do município pode formalizar essa demanda junto à prefeitura.

A Reforma Tributária já deixou de ser um cenário futuro e passou a fazer parte da realidade operacional das empresas.

Mesmo com períodos de transição e flexibilizações técnicas, três pontos devem estar no radar das organizações:

  • preparação dos documentos fiscais para CBS e IBS

  • acompanhamento do modelo de apuração assistida

  • adequação dos sistemas fiscais e ERPs

Empresas que iniciarem essa adaptação desde já terão menor risco operacional, fiscal e financeiro durante a transição para o novo sistema tributário brasileiro.

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